Aquilo que na vida tem sentido,
mesmo sendo qualquer coisa de mínimo,
prima sobre algo de grande,
porém isento de sentido
Carl Gustav Jung
Depois de algumas horas de conversa, a conexão fez o favor de sumir. Ainda bem que foi temporário e logo retornei. Imagenzinha na tela. Quase não acreditei quando finalmente entendi. Uma moto... e uma gata! A princípio, ele não compreendeu minha surpresa, mas logo ficou claro. As coisas comuns vão diminuindo a distância. E a intimidade vai ganhando forma.
Falando do peso da moto, fomos parar em nossas medidas. Depois da foto, mais música. Já é de praxe. Encontros “regados” a canções preferidas. A cada noite vou ampliando a coleção que estou criando com pedacinhos dele. Os raios e trovões às vezes interrompem, mas nunca acabam com a nossa festa que continua mesmo depois que a música para, mesmo quando estamos silenciosos no escuro dos nossos quartos. O tempo fechou mais ainda e uma nuvenzinha pesada se formou sobre nossas cabeças. Choveu.
Às vezes ele gosta de dizer coisas que me incomodam. Tenho tanto medo que o desânimo dele leve-o para longe de mim. Me sinto tão impotente aqui. Nada posso fazer. Queria dar um pouco de sentido à vida dele para poder dar também à minha. Fazê-lo rir e poder rir junto. Será se tudo resistiria à presença diária que vai cansando os sentidos? Não consigo nem pensar nisso, depois da pergunta maluca que ele lançou na minha cuca.
Misa
Terça-feira, 22.04.08

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