O Duelo ~ Seriedade x Ousadia



Uma paixão tão completamente centrada em si 
recusa o resto do mundo 
tal como a água límpida e calma 
filtra todas as matérias estranhas.

Virginia Woolf


Meu dia não foi grande coisa, mas ter encontrado o L ontem e ter passado esta madrugada conversando com ele, me fez respirar novos ares. Esses dois últimos dias têm sido tão intensos pra mim. O mundo lá fora corre com a loucura infernal de sempre, mas aqui dentro está tudo tão tranquilo... Uma paz que não consigo descrever. Quando encontramos alguém que consegue nos entender, parece que tudo fica diferente.

Agora percebo que não era apenas uma simples conversa o que eu estava procurando. Todos os meus contatos do MSN ficam tão insignificantes perto dele... Poderia excluir todos que nenhum me faria falta. E eu já estou deixando-os de lado por causa do L. Não consigo evitar. Começo a conversar com qualquer outro e já me lembro dele. Isso tá ficando sério. Só dois encontros, meu deus! Foram várias horas conversando, mas ainda sim, dois encontros!Como isso pode estar acontecendo comigo? 

Cheguei do trabalho e mal tirei a roupa... Corri para o computador que mal iniciou e eu já estava com o MSN aberto. Não marcamos horário nenhum e como eu não sei muito ainda sobre ele, entrei bem cedo para não perder a chance de encontrá-lo. Ele não estava lá. A incerteza sobre quando ele iria aparecer (e se iria) fez crescer em mim uma monstruosa ansiedadeAté pareço uma adolescente. Fiquei a noite toda tentando preencher um vazio que ele já conseguiu plantar dentro de mim. Voltei ao chat para matar o tempo, ao mesmo tempo em que estava no MSN com os outros contatos que reclamaram da minha “conversa ausente”. O dia inteiro, pensei nele, desejando que o tempo passasse logo para ir para casa e ficar conversando com ele, mas a impressão era que o tempo não queria andar.

Depois das 11 da noite, a plaquinha subiu: “L acabou de entrar”. “Boa noite, senhorita.” Tinha como não ser boa? Meu respeito por ele já é tão grande que eu tinho medo de incomodá-lo, mas nesta noite me soltei um pouquinho. Começamos com joguinhos ao estilo RPG e fomos parar no jogo de adivinhação de ontem. Ele quis continuar, mas manteve a seriedade e compostura do L e eu continuei com o atrevimento, a espontaneidade e a personalidade infantil da Misa. Aliás, perto dele me sinto uma menina. Ele coerente e eu contraditória. “Você parece a Misora”, ele tinha me dito ontem. Acho que hoje depois dessa, ele vai mudar de idéia.

Estou tendo a chance única de sair do sério com alguém que realmente vale a pena. É estranho e prazeroso sentir como se estivesse pulando e dançando feito criança na palma da mão de alguém “maior e mais forte” que eu. Ele é algo que não posso controlar, nem prever, mas ele é único que me provoca uma sensação de segurança e felicidade. Ele, seriedade e eu, ousadia. Eu estava me divertindo. Já sou tão séria o tempo todo que agora eu não tenho o menor interesse em me controlar com ele. Que graça teria? Fiquei a provocá-lo. E ele começou a acertar coisas ao meu respeito.  1x0 no placar. Comecei perdendo.

Cada vez mais ele me descobrindo e eu sem saber nada sobre ele. Eu quero saber, mas tive receio de perguntar e medo do que ele pudesse revelar. Então disse... “não quero mesmo saber como você é.” Sabe aquele não que é sim? Ai... Senti vontade de ter alguém como ele.  Isso é tão impossível... Uma fantasia que preenche tão bem os meus pensamentos... Sei que não posso alcançá-lo e por isso me conformo em desejar alguém que “não existe”... Em imaginar um personagem. Estou vivendo um mundo paralelo e é tão bom.... A realidade esmagadora me espera ao amanhecer e essas poucas horas intensas que estou passando com ele, já estão se tornando inesquecíveis.

Ele teve a grande “sorte” de topar com uma professora de português e eu fui dar de cara com um nerd doido da computação. É... descobri (ele disse, lógico!) que ele faz faculdade nessa área no turno da noite. Pelo modo dele de conversar já tinha suposto que ele devia ter um grau de instrução razoável. Comecei a fazer outras perguntas, mas ele continuou a fazer mistério. Todo o pouco que ele me disse me deixou mais interessada nele.

Ele é muito imprevisível. Assim do nada, me mandou a música I Want You (Bom Jovi). “Aceite, é uma música que gosto muito. Espero que goste também.” Peguei o arquivo, recebi e ouvi a música. Nessa hora eu desejei que aquele refrão fosse algo que ele tinha a me dizer, mas pensei: “ele não iria se entregar assim.” E achei que a música não significasse nada (e continuo pensando), mesmo depois que eu e ele traduzimos juntos a letra da música.

A noite foi embora e o dia começou a nascer. O jogo estava chegando ao fim, mas eu não perdi a oportunidade de provocá-lo. “Percebe que passou a noite toda flertando comigo?” A minha negativa não parecia ser convincente. “Você gosta de aventuras, fessora?” Algumas perguntas como esta, me fazem despencar do céu e cair num inferninho. Então, eu parei e fiquei pensando no que estava fazendo até ele vir e me puxar de novo para a fantasia. Inconsequente. Fiz questão que ele soubesse que gosto dele, mesmo sem afirmar nada. Claro que eu me escondo numa personagem, mas mesmo usando ela, sou eu que estou ali, eu que estou sentindo tudo. E eu estou gostando.


Misa


Quinta-feira, 27 e Sexta-feira, 28.03.08 (Sobre a 2ª conversa)


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